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Escrito por Sandro Fortunato às 23h13
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:: Cenas dos próximos capítulos

Estou passando por aqui hoje porque teve cobrança e fui acusado de propaganda enganosa (quando disse ali em cima que o blog é atualizado todos os dias... esqueci de dizer que é "todos os dias de segunda a sexta").

Então fiquem sabendo o que vai rolar por aqui esta semana:

  • O Paraizo de Jessuss do Profeta Gentileza
  • Do meu diário de guerra ou Meus dias em Turim
  • Tenho tantas qualidades que nem sei como fui virar puta


Escrito por Sandro Fortunato às 13h39
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:: É bom compartilhar experiências, não?

 

A pergunta foi feita ontem ao final de um comentário da leitora e blogueira Franciele. Bem... eu acho. Ou não estaria aqui contando potoca, derrubando rudela, jogando conversa fora.

Internet, em minha vida, é sobretudo para trabalho. Passo o dia inteiro na frente do computador. De 12 a 18 horas. Nem sempre adiro (se arrepiou também com esta conjugação?) de imediato ao que aparece na rede, sobretudo se estiver relacionado a lazer. Pura falta de tempo. Por exemplo, acreditem, eu levo o Orkut a sério. Debato sobre filosofia alemã e literatura francesa, encontro gente que estudou comigo no primário, essas coisas...

Mês passado entrevistei Ziraldo e perguntei se ele conhecia a comunidade Ziraldo Fan no Orkut. Pedi uma mensagem para o pessoal da comunidade. Sempre gozador, ele mandou essa:

Vocês são um bando de malucos! Eu quero que vocês se fodam! Só tem maluco nesse mundo! Mas é divertido! Se tiver algum que jogue RPG, não falo com nenhum deles mais. São da mesma raça de jogadores de RPG, acabam matando um! Quem mexe com isso, se não tivesse Internet ia ser esperantista, filatelista, rádio-amador... são umas deformações mentais graves! Sabe por que chat se chama chat? Porque é a coisa mais chata que tem no mundo. É insuportável! Agora imagina se eu vou querer bater papo com um cara que eu nunca vi?! Eu quero bater papo com os meus amigos, gente que eu gosto.

Eu também. Mas qualquer amigo já foi um desconhecido um dia, não? E nada mais útil que a Internet para conhecer gente e fazer novos amigos. Estão aí Taís, Hertz, Vivi, Delza e Franciele que não me deixam mentir.

Há alguns anos, eu escrevia uma crônica semanal na Tribuna do Norte, em Natal. Algumas – poucas – estão na seção Press do meu site. Choviam e-mails e telefonemas de amigos, colegas e conhecidos. Comentavam, tiravam sarro. Mas quem mais, além deles, lia aquelas bobagens que eu escrevia? Sempre imaginei que estivesse escrevendo para eles que alimentariam meu ego (que há anos anda em regime frugal) e ponto final. Até que em um final de noite, em um bar, descobri que não era bem assim.

Duas garotas pediram ao dono para colocar uma música. Ele se recusou. Achei estranho, pois ele sempre atendia aos pedidos dos fregueses. Estava querendo fechar o estabelecimento e eu não havia percebido (engraçado, nunca fui bom em perceber isso!). Eu me aproximei da mesa e perguntei que música elas haviam pedido. Uma das garotas veio com dez pedras para cima de mim: “Tá pensando que sou alguma brega? Pedi Pink Floyd!” Ânimos serenados, sentei e começamos a conversar. Ao dizer meu nome, a garota fez uma cara desconfiada e perguntou: “Sandro de que?”. Respondi e ela arregalou os olhos! “Sandro Fortunato que escreve na Tribuna? Sempre leio as suas crônicas. Eu pensei que pudesse conhecer qualquer pessoa em um bar, menos você!”

Putz! Então alguém lia mesmo as bobagens que eu escrevia. Quando a leitora começou a me apresentar o mundo dela, eu passei a ter mais subsídios para escrever. O jornal deixou de ser uma via de mão única. A comunicação foi estabelecida e compartilhar experiências foi um exercício que nunca mais quis deixar de fazer.

Essa pergunta-já-afirmação de Franciele chegou na hora certa. Neste sábado, 16 de outubro, o blog está completando um mês. Nos primeiros dias, só meus conhecidos podiam acessá-lo. Não era aberto. Tinha senha para entrar. Resolvi tornar público e vocês estão vendo no que deu. O escândalo está anunciado lá no cabeçalho.

Mas o interessante é que o voyeurismo é muito maior que a interatividade. Muita gente entra, mas são poucos os que comentam. Quando existe um comentário, vira uma conversa! Eu sei com quem estou falando, percebo o que o outro quer ler/ouvir, quais seus temas preferidos. Portanto, você que é dado ao voyeurismo, leia e responda-me: você está vendo o seu objeto de desejo na janela do prédio em frente, ele/ela passeia pelo quarto, tira a roupa, dá uma olhada no espelho... mas se ele/ela soubesse que você que está olhando gostaria de um showzinho particular, que ele/ela deixasse a toalha cair, tocasse as partes íntimas, desse uma olhadinha para ver se estava agradando... não seria muito melhor? Pois é, eu estou aqui para deixar a toalha cair. Portanto leia e deixe seu comentário. Não fique neste prazer solitário no escuro do seu quarto. Entre na festa!

PS: Franciele, passei no seu blog e vi que você gosta de Cazuza e Renato Russo. Dê uma olhadinha nisto que escrevi há três anos. Deveria ser um artigo mas quase se tornou uma tese: Malditos Arianos. É sobre Cazuza, Renato Russo e Baudelaire.



Escrito por Sandro Fortunato às 13h45
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:: Em certas coisas, eu me recuso a acreditar

Escutei esta frase outro dia, dita por uma adolescente, no programa Tas na Zona. Marcelo Tas brincou, disse que gostou, que iria anotar e usar. Mas quantas vezes você já ouviu ou mesmo disse algo parecido com esta frase? Veja se não é uma versão desta outra:

De uma vez por todas, não quero saber de muitas coisas.

É o quinto aforismo de Crepúsculo dos Ídolos, no qual Nietzsche ainda completa: “A sabedoria também traz consigo os limites do conhecimento”. Portanto, siga o conselho da adolescente e do velho filósofo e não se constranja em não saber de muitas coisas. Acredite, é bem mais sábio.

Não sou de ver novelas (confesso, tenho me esforçado em acompanhar Senhora do Destino, apesar do sotaque forçado da personagem Maria do Carmo), mas a TV quase sempre está ligada quando estou ao computador. Lembro que quando começou a novela Um anjo caiu do céu, logo nos primeiros capítulos o Anjo (personagem de Caio Blat) fala para a atormentada personagem de Débora Falabella: “O que não me mata, me fortalece”.

Chamou minha atenção na hora. Isto também é Nietzsche. Também do Crepúsculo dos Ídolos:

O que não me mata torna-me mais forte.

Ou em versão mais popular: “O que não mata, engorda”.

Dia desses comentei no blog Obsessions, de Marília Marques, uma frase da mãe do jornalista César Seabra, Dona Leila. Ela costumava dizer: "Dane-se o mundo, meu nome não é Raimundo." Lembrei imediatamente da última entrevista de Drummond, na qual ele diz: “Nenhum poema meu entrou para a História do Brasil. O que aconteceu foi o seguinte: ficaram como modismos e como frases feitas: ´tinha uma pedra no meio do caminho` e ´e agora, José?`. Que eu saiba, só. Mais nada". Bobo esse Drummond, né? Mas o que impressiona é que é verdade. A frase de Dona Leila vem do famoso "Mundo mundo vasto mundo/ se eu me chamasse Raimundo/ seria uma rima, não seria uma solução", primeiro poema (Poema de sete faces) do primeiro livro (Alguma poesia, de 1930) do mineiro. Drummond é campeão em citações populares, dessas que quase nunca se sabe de onde vêm.

Acho muito interessante o conhecimento, muitas vezes tornado palavra por um erudito, circulando entre o povo. Mais interessante é perceber como se dá a disseminação disso. Pelas novelas, pela música... Uma geração inteira (e, no mínimo, a seguinte) repetiu (repetiram! repetem!) as músicas da Legião Urbana. Renato Russo lia loucamente. Fez homenagens descaradas a Baudelaire e Thomas Mann até em títulos de músicas, respectivamente, Flores do Mal e A Montanha mágica. Mas fez ainda citações de textos budistas, cristãos e taoístas, para ficarmos apenas nos que lembro de cabeça.

E nisso não há qualquer plágio ou falta de inspiração. Muito pelo contrário. São palavras de seres iluminados inspirando outros que as popularizam. Afinal como disse o próprio Renato Russo em Quase sem querer:

Sei que às vezes uso / Palavras repetidas / Mas quais são as palavras que nunca são ditas?

Será que foi mesmo ele o primeiro a falar isso?



Escrito por Sandro Fortunato às 13h21
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:: Nos tempos d`El Chaco

As dicas de sites de hoje vêm d`além-mar. Blogs de mãe e filho. Me, myself & I é o blog de Renata Silveira, jornalista e fotógrafa, que andou incursionando pelo cinema português e sabe-se lá o que mais. O outro blog é de Arthur Silveira, que desde pequeno já está mostrando talento para os quadrinhos. O cabeça-de-ovo que aparece em primeiro plano é Marcelo Andrade (Tchelo), jornalista e puta fotógrafo, completando a família luso-potiroca.

Este aqui ao lado é Tchelo quando ainda cultivava algum cabelo. Naquele tempo, sua cabeça tinha bastante... digamos que sua cabeça fosse bem adubada. Depois que foi para Portugal, a mesma tornou-se estéril e dela não nasce mais nada.

Tanto a minha caricatura (lá no alto, à direita) quanto a sua foram feitas pelo próprio Tchelo para o único número do fanzine O Neocínico Baby, que teve a fantástica edição de 50 exemplares (foi tudo isso?) totalmente distribuída na noite em que El Chaco, famoso bar em Natal (RN), fechou. Isso foi no início dos anos 90. Na ocasião também aconteceu a única apresentação da menor big band do planeta, o LL Cover. Seus integrantes: Tchelo e Lobão, este que vos bloga.

Aquela deveria ter sido uma noite memorável, mas quem viu se esqueceu de tudo no dia seguinte. Afinal, ninguém estava sóbrio. Graças aos céus, dois interessadíssimos jornalistas, desses que percebem um fato histórico acontecendo, registraram aquele momento. Seus nomes: Tchelo e Lobão.

O fanzine contava toda a trajetória da banda. Segue o textículo com todos os erros de nossa ignorância vigente à época ...

Pra você que disputou a última Bizz, Bravo, Biilboard, Melody Maker, ou qualquer uma dessas revistinhas, e não conseguiu o seu exemplar; para você que não tem parabólica em casa e por isso não assiste a MTV; você que ficou de fora do último show da mais nova sensação musical; você que não conseguiu comprar o último disco; você que está perdendo tempo lendo esta merda, aí vai a Biografia da Menor Big Band do Planeta, a pós-apocalíptica: LL COVER.

Tudo começou quando os new-darks-proto-junkies Lobão e Tchelo se cansaram das musiquinhas e frequentadores andróginos de pocilgas como o El Chaco (vulgarmente conhecido como El Chato) e resolveram aceitar o convite de um tal Roger Waters para formação de uma banda de hard-blues – se é que alguém sabe o que é isso. Então surgiram Os Portas – inspirados numa bandinha dos anos 60 sem muita expressão (The Doors) – que marcaram um ensaio, que antes de se realizar, marcou a saída de Roger Waters, e a posterior entrada de Elias Brinquedo do Cão. Sua esposa e sargento de serviço logo mudou o nome da promissora banda para Ácido Acetilsalisênico. Foi então marcado um novo ensaio, ao qual ninguém compareceu, e por comodidade passou a chamar-se Banda Ácida.

Mais um ensaio marcado e nada! Os remanescentes, Lobão e Tchelo, se revoltaram e deixaram de beber, de fumar, iam dormir na hora certa e pediam a benção a suas mães. Durante dois meses, tentaram recrutar novos músicos (?) no mundo pseudo underground de Natal (aaargh!). Sem obter êxito, decidiram seguir sozinhos e foi então que surgiu Os Mulheres Brancas, que no dia seguinte passou a se chamar LL Cover. Preparem seus tímpanos, sejam gentis, juntem suas coisas, peguem esse fanzine e... VÃO À MERDA!!!!

PS: Nietzsche, Drummond e Renato Russo só amanhã.



Escrito por Sandro Fortunato às 11h03
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:: A história do Mamute

Não faz bem o gênero do Leseira Geral (ou deveria fazer), mas aqui vai o link para a história mais comentada da Internet nos últimos dias: a do Mamute pequenino que queria voar, fumar, beber, transar e se drogar. Ontem, saiu até no Programa do Jô, que convidou o autor a criar novas historinhas e vinhetas.

Só que... o autor é outro. A história original, em espanhol, você vê aqui. 



Escrito por Sandro Fortunato às 10h54
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:: De greve e crianças

Feriadão... ando meio lerdo apesar de tanta ocupação. Ou talvez até por isso. Estou precisando entrar em greve. Greve de mim mesmo. Abaixo minha autotirania. Preciso de férias! Por que não fui ser bancário? Nunca ouvi mesmo os conselhos de papai e mamãe... Acabei escravo de mim mesmo.

E Marte deve estar sobre pressão. No lugar de Lula - ou de quem pudesse fazer isso - eu já teria colocado todo mundo pra fora. A propósito, o que o presidente deve estar achando dessa greve recorde? Era óbvio que o governo dele seria campeão em número de greves.

Já passei por aqui e não terei o ponto cortado. Então, por hoje, só a reflexão abaixo em homenagem ao Dia das Crianças, principalmente às minhas. Amanhã retorno com Nietzsche, Drummond e Renato Russo.

O invejoso – Ele é um invejoso – não devemos esperar que ele tenha filhos; ele teria inveja deles, porque não pode mais ser criança.

(in A Gaia Ciência – 207, Nietzsche)



Escrito por Sandro Fortunato às 12h32
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:: Eu amo Paulo Coelho

Se você faz o estilo policial, já deve estar quicando nas chinelas com o título deste texto.  Em todo meio intelectual ou dito, o patrulhamento ideológico e a perseguição aos que não gostam dos “incensados da turma” são grandes. Admirar algum excluído do panteão, nem se fala. É pedir para ser crucificado.

Paulo Coelho é, provavelmente, o primeiro da lista dos excomungados pela intelligentsia.

Admitamos que ele escreva mal. Pior até do que eu, digamos.

Mas analisemos a situação mais comum em que a demonstração de ira aflora. Bem, basta citar seu nome...

- Eu detesto ele! (sic)
- O que você leu dele?
- Nada! Vou lá perder meu tempo. Eu detesto ele.

Como se pode avaliar algo que não conhece? Já revivi este pequeno diálogo algumas vezes nos últimos anos. Quase invariavelmente tendo um colega jornalista como interlocutor.

- O jeito que ele escreve me deixa louca!
- Assim como naquela música da Elis?
- Aaaaaaah! Aquela música é linda!
- É. Versão de Paulo Coelho para uma música do mexicano Armando Manzanero.
- ...!!!

Todo jornalista entre 30 e 50 anos, que já teve seus dias de porra-louquice, alguma vez gritou (com grandes chances de estar bêbado e abraçado a outros colegas): “Viva! Viva! Viva a Sociedade Alternativa”.

Gita, Eu nasci há 10 mil anos atrás, Como vovó já dizia, Se o rádio não toca e Al Capone são outros sucessos de Raul Seixas em parceria com Paulo Coelho, que também escreveu músicas para Rita Lee.

Coelho já escreveu e publicou mais de 12 livros, traduzidos em mais de 56 idiomas, editados em mais de 150 países e que venderam, até o ano passado, mais de 65 milhões de exemplares. É membro da Academia Brasileira de Letras, foi elogiado publicamente por Umberto Eco e Kenzaburo Oe (Nobel de Literatura de 1994), entrou para o Guinness Book, recebeu do governo francês a distinção Chevalier de L'Ordre National de la Legion d'Honneur, tem colunas em jornais de mais de 20 países e até manda um irônico recado a Bush através deles... Tá bom, né? Falar de O Alquimista e tudo que o livro conquistou já é covardia.

Posso até não gostar do jeito que Paulo Coelho escreve ou dos temas que aborda, mas dizer que não gosto dele?! Ele nunca me fez qualquer mal. E ainda chama a atenção do mundo inteiro para o Brasil e o que se escreve aqui. Eu tenho é orgulho desse cara!

Hoje, lamento profundamente não ter aceitado a oferta, feita há três anos, pelo dono de um sebo em São Paulo (na galeria que fica nos fundos da Galeria do Rock). Ele queria me vender Arquivos do inferno e Manual prático do Vampirismo, os dois primeiros livros de Paulo Coelho. Arquivos... teve uma única edição de dois mil exemplares em 1982. Manual..., também com uma única edição em 1986, foi recolhido e “jamais será republicado”, segundo o autor. O sebista queria R$ 60 em cada. Eu sabia que valeriam muito mais no futuro. Mas eu já havia gasto todo o meu dinheiro com Nietzsche, Lou Salomé e Rilke. Quando voltei, meses depois, o sebo não estava mais lá.

Tenho minhas preferências. Na Literatura, quase todos têm uma trajetória muito diferente da de Paulo Coelho. Não foram reconhecidos em vida e morreram pobres. Para lembrar um dos mais queridos, cito Lima Barreto.

O brasileiro tem uma relação muito estranha com o sucesso alheio. É sempre uma dicotomia: ou endeusa ou martiriza. Ganhar dinheiro então, é pecado! A não ser que tenha sido pelo futebol ou pelo pagode, porque aí existe uma identificação maior das classes economicamente menos abastadas. Mas fazer sucesso escrevendo? Só pode se tiver sacanagem no meio! Sexo, samba e futebol são a nossa Trindade Divina.

Eu tinha 14 ou 15 anos quando foi lançado O diário de um mago. Li e achei legal. Já não mais que isso. Li também os três seguintes: O Alquimista, Brida e As Valkírias. Mesma coisa. Legal. Era muito jovem, tinha tempo de sobra, responsabilidade nenhuma. Hoje não dou conta de ler o que compro, muito menos o que gostaria. Claro, Paulo Coelho e congêneres pulam lá pro final da fila. Um final que não consigo enxergar. Muito antes vêm os quadrinhos, uma revista qualquer, aquela “indicação” que vou ler e achar que perdi meu tempo... Mas nunca vou poder dizer a arrogante frase: “Não li e detestei”.

Dia desses, minha filha mais velha veio dizer que estava lendo um livro de Sidney Sheldon. Eu pude indicar umas leituras, digamos, mais interessantes para seus onze anos. Como e por que fiz isso? Porque li Sidney Sheldon. Se não, teria que ficar calado.

Outro grande ponto positivo da trajetória de Paulo Coelho é o despertar. Quantos milhares – quiçá milhões! – de indivíduos mundo afora começaram a ler por causa de um livro dele? Sem falar no despertar espiritual. Sim, no despertar espiritual. Quantos começaram a pensar sobre algo mais além de suas vidinhas e buscaram – seja lá onde tenha sido – uma resposta às questões interiores por terem lido as mal traçadas linhas de PC?

Costumo dizer que só baixo o pau em alguma coisa se eu puder fazer melhor. Como minhas conquistas estão muito aquém das obtidas pelo “mago”, eu me calo. Então, se você me pegar falando mal de Paulo Coelho, por favor, me chame de invejoso.



Escrito por Sandro Fortunato às 13h06
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:: Para meditar durante o feriadão

E porque sou capaz de praticar com ele,
É alguém que merece receber
Os primeiros frutos de minha paciência,
Pois dessa maneira ele é a causa.

Versículo 108 do Bodhisattvacharyavatara, de Shantideva.



Escrito por Sandro Fortunato às 21h04
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:: Folcore bombando no Hangar e na MTV

A banda Folcore levou três das sete indicações às quais concorria no Prêmio Hangar de Música, que aconteceu na última sexta, no Teatro Alberto Maranhão, em Natal. O Hangar é tido atualmente como “a maior premiação do gênero no Nordeste”. Esta foi sua sexta edição.

Os prêmios foram os de Instrumentista revelação para David Rocha (baixista), Melhor vocalista para Franklin Roosevelt e Melhor banda.

Tem mais. Nesta segunda, Folcore estréia clipe no Central MTV, que começa às 13h30. No site, você pode baixar duas músicas e dois vídeos.

Em tempo. Se você reparou na garotinha na foto, informo que ela não faz parte da banda. Aliás, o que é que ela está fazendo no meio desses malucos?!!!



Escrito por Sandro Fortunato às 20h53
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:: Tipo assim... rapidão!

:: Meu amigo Bigode e outras companhias legais
Confesso que foi puro consumismo ter comprado o segundo número da coleção Cult Especial Biografias. Dedicada a Nietzsche, não acrescenta nada aos mais chegados, mas vale a pena para quem quer começar a conhecê-lo.  Portanto, recomendo. Aproveitei e comprei Aurora, mais recente lançamento da coleção das obras de Nietzsche editada pela Companhia das Letras e com coordenação e tradução de Paulo César de Souza.

:: A Melhor democracia...
...que o dinheiro pode comprar, livro de Greg Palast, também foi “adotado aqui em casa” e é o próximo da fila. No capítulo brasileiro, conta-se como o secretário do Tesouro americano, Robert Rubin, em 1999, conseguiu realizar um sonho que tinha desde menino: ser presidente do Brasil. Michael Moore mandou comprar.

:: Saudável inveja
Da foto de Paulo Liebert na primeira página do Estadão deste sábado mostrando Marta Suplicy à sombra de um Lula pedinte.

:: Falando em...
...Nietzsche e inveja. Estes serão meus temas da próxima semana aqui no Leseira Geral.



Escrito por Sandro Fortunato às 20h47
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:: Sexo e cerveja na Casa dos Artistas

Quem foi que disse àquelas pobres criaturas que alguma delas pode ser protagonista de uma novela? Ah, é no SBT? Então pode. Desculpa. E por que eu estou falando disso aqui? Até ontem esse blog era tão bom, tão cabeça... Ah, lembrei... No mesmo dia em que o SBT foi obrigado a tirar do ar o "reality show", quarta, fonte fidedgina, que faz parte da produção da Casa, me disse que Carol Hubner, a bonita morena, paulistana de 24 anos, que ainda está no programa, "declara em cenas que não vão ao ar que só o que a acalma é cerveja e sexo". Imagina se isso vaza! Imagina se  sai em um blog, por exemplo! Imagina o que vai ter de marmanjo na porta do SBT  querendo acalmar essa garota quando ela sair do programa!

OK! Voltemos à programação normal do Leseira Geral...



Escrito por Sandro Fortunato às 02h08
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A polêmica está formada. Sadovski: crítico ou charlatão? Não sou eu quem está perguntando, mas sim uma das três páginas de ódio declarado a Roberto Sadovski, diretor de redação da revista Set, essa criatura meiga aí em cima.

As páginas estão no Orkut. Eu odeio o cara do Kapow! (nome da coluna assinada por ele no site Herói), Sadovski: crítico ou charlatão? e, desde o último domingo, Eu odeio Sadovski/$et. Com cifrão e tudo, dando a entender que a revista é vendida, no caso, aos interesses dos grandes estúdios americanos. E tem ainda a Eu odeio a revista Set.

Mas o pau está quebrando mesmo é na comunidade dedicada à própria Set. Os ataques começaram – e são ainda bem mais intensos – lá. Até pela visibilidade. Mais de 750 pessoas fazem parte da comunidade Revista Set.

Das diferenças de opiniões em relação a filmes e escolhas de capas, as críticas começaram a ficar cada vez mais pessoais ao ponto de Roberto ser chamado de “Covardovski” por, segundo um de seus principais detratores, “fugir dos debates”.

Pior que não foge. Acho até que participa demais das polêmicas, muitas delas gratuitas e sem sentido. Ele gosta “de interagir com o leitor. Seja ele favorável ou não. Só paro de discutir quando o papo cai na baixaria. Daí eu sumo mesmo”, disse ele em uma conversa comigo nesta quarta. Era para ser um papo de 5 minutos. Durou duas horas.

Conheço Sadovski há 14 anos. Desde o tempo em que ele tinha uma banda horrorosa, que graças a Deus não lembro o nome, e inventou de tocar na calourada da turma dele. Calourada da qual eu era um dos organizadores. Eu tomava conta das cervejas, claro! Tempos depois ele formou o Groisman e os Anelídeos Marcianos (um dia eu conto essa história em detalhes!), na minha opinião, a melhor banda de rock que já existiu em Natal.

Na seqüência, se formou em Jornalismo e foi para Sampa. Está na Set desde o final de 1996. Em janeiro de 1997 era editor assistente. Depois editor e, há alguns meses, diretor de redação. Em bom e claro português, perguntei se ele não se sente meio “caga-regras do cinema no Brasil” sendo a Set praticamente a única revista do gênero no país? “De modo algum. O mercado está livre para revistas com outra abordagem. Sem falar que ainda somos muito ‘pequenos’ se comparados aos jornais, por exemplo. Você não encontra frases de críticas da Set no cartaz de um filme. Somos a única do gênero mas atingimos um público já ‘catequizado’ ”.

A Set existe há 17 anos. Eu e ele a lemos desde então. A revista mudou de editora e quase deixou de existir. Foi nessa hora que ele entrou e segurou a onda. Eu confesso: gostava mais de como era nos primeiros anos. Mas aqueles eram outros tempos. Eu era um adolescente, o mercado era outro. Eu adorava a Cinemin. No tempo em que coexistiam, ambas eram feitas para quem gosta de cinema. Mas não para quem gosta de cinema do mesmo jeito. E é aí que mora o óbvio. Opinião é como, digamos, nariz: cada um tem o seu.

A profissão de crítico é das mais ingratas. Você expõe sua opinião e dá a cara às tapas de quem você nem conhece. O que as pessoas não entendem é que não são obrigadas a concordar com a opinião de quem quer que seja e nem precisam odiar quem tem conceitos ou apreciações diversas. Mais terrível ainda é quando se arvoram de conhecimentos que não possuem. “Por que a revista não fala sobre isso ou aquilo?” Porque não é feita para mim, nem para você. É feita para um mercado. É resultado de decisões editoriais tendo como um de seus principais objetivos vender. Eu acho que Lavoura Arcaica, Dias de Nietzsche em Turim e Dogville merecem todas as capas do mundo. Eu e meus amigos cineastas, bichos-grilos, ratos de cinema... Não a maioria. E dá-lhe Homem-Aranha, Harry Potter e O Senhor dos Anéis, sim, senhor! Independente do que eu ou meus amigos ache disso. Para debater outros filmes, outros temas, outros gostos, temos outras publicações. Não tão conhecidas quanto a Set. Assim como nossos filmes preferidos não enchem cinemas como os últimos citados.

Acho que, nesses 14 anos, tirando o gosto comum por (alguns!) quadrinhos, eu e Sadovski discordamos em todo o resto: música, cinema e qualquer outra manifestação cultural. Nem por isso nos odiamos.

Não estou aqui para fazer defesa, tampouco para acusar alguém. Estou aqui para celebrar as diferenças. Mas acho isso de “ter ódio” algo realmente deplorável. E ele, o que acha? “Acho engraçado. Sério! Entrei na página, tem três sujeitos conversando. É meio patético... o meu ego gostaria que tivesse pelo menos 100 pessoas”.

Como disse alguém em depoimento sobre Sadovski em sua página no Orkut, ele “é o Diogo Mainardi dos nerds”. E eu, de minhas observações a respeito da imprensa nos últimos 16 anos, só posso parafrasear o velho Chatô: quem quiser ter opinião, que tenha seu próprio jornal. Ou revista... ou site... ou blog...



Escrito por Sandro Fortunato às 07h42
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:: Tá na hora do pau!

Esta é para os marvelmaníacos e cinéfilos em geral. Já foram liberadas as primeiras imagens do filme Quarteto Fantástico (Fantastic Four). As caras não são muito conhecidas do público brasileiro. Jessica Alba, da série Dark Angel, é Sue Storm, a Mulher Invisível; Michael Chiklis (huuuum... ele fez o papel de John Belushi no filme Wired, assistiu?) é o Coisa; Chris Evans (o jogador de futebol americano que tenta transformar a esquisita da turma em rainha do baile em Não é mais um besteirol americano) é o Tocha Humana e Welshman Ioan Gruffudd (seja lá como se pronuncie isso... o Lancelot de Rei Arthur... também fez um oficial em Titanic) é o Senhor Fantástico.

Quarteto Fantástico deve chegar aos cinemas americanos em julho de 2005. No Brasil, bem antes, veremos Elektra (novamente vivida por Jennifer Garner e com participação de Ben Aflleck como Matt Murdock/Demolidor), que tem estréia prevista para 25 de março.



Escrito por Sandro Fortunato às 10h18
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:: Tipo assim... rapidão!

:: Serra e Marta no VMB
Tudo pelo voto, hein? Marta ainda tem desculpa: é mãe do Supla, foi em outras edições não estando em campanha... Mas Serra???! Será que ele usa piercing? Será que tem uma tatuagem demoníaca escondida em algum lugar? Que ele tem a maior cara de quem come morcego, isso tem!!! Saiu de lá com o prêmio “Careca do ano” entregue pelo pessoal do “Pânico na TV”.

:: Ainda o VMB
Sem muitas surpresas a premiação deste ano. Pitty, D2, o Rappa, Skank e Seu Jorge. Como gosto de todos, não vou reclamar. Mas eu gostei mesmo foi do esporro do Caetano tentando tocar com David Byrne: "MTV bota essa porra para funcionar. Toma vergonha na cara...”. Muito aberta a manifestações desse tipo, a MTV meteu os comerciais na mesma hora... Quero ver a reprise. Tem hoje, às 14h30.
(16h - Na reprise, cortaram a bronca do Caetano) 

:: Última do VMB
E no Blog da MTV lê-se que a festa foi encerrada com uma jam session de Pitty, Rogério Flausino, Dinho e integrantes do CPM 22 e do Matanza. Eu não consigo engolir esse papo de jam session para qualquer reunião improvisada de músicos! JAM significa Jazz After Midnight. Tudo bem que o lance aconteceu depois de meia-noite, mas se só tinha roqueiro, então era uma RAM!

:: Cabeças estão rolando
Os traficantes do Rio continuam brincando de samurai. Mais dois foram decapitados. Desce o Blog e vê o quanto falei de violência no Rio só esta semana. Depois me perguntam se eu não tenho vontade de voltar para lá!

:: O fim dos Simpsons
Matt Groening, criador dos Simpsons anunciou que o desenho vai deixar de ser produzido. Como assim? Como é que eu fico? A série vai até 2009 (ufa!) e a partir do próximo ano dará mais espaço a personagens secundários, como Milhouse.

:: Força, Soninha!
Em São Paulo, a vereadora eleita Soninha (ex-VJ da MTV) não conseguiu comemorar a vitória. Sua filhinha mais nova, de 7 anos, está internada há duas semanas. Está com leucemia. Você tem filhos? Já passou por algo parecido com alguém muito querido? Então junte-se aos mais de 50 mil eleitores de Soninha, aos fãs dela do tempo da MTV e peça que Júlia consiga vencer essa batalha. Pode ser agora mesmo... uma oração silenciosa aqui na frente do computador. Manda uma força que faz a maior diferença. Acredite!



Escrito por Sandro Fortunato às 10h17
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:: Basta de violência, miséria, corrupção, impunidade...

 

Cidadãos cariocas indignados com a desordem e a violência que imperam na cidade criaram um movimento independente, que não pertence a ONGs, não tem nenhuma filiação partidária e não segue qualquer credo religioso: BASTA! Clique aqui, conheça e engrosse o caldo.



Escrito por Sandro Fortunato às 09h54
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:: Muito barulho que vale a pena!

Conheço os Clowns de Shakespeare desde que eles começaram. Aquela trupe imensa que veio lá do Objetivo, em Natal. Em 1993, eu era editor da então única revista semanal da cidade – a RN Econômico. Escrevi uma crítica sobre “Sonho de uma noite de verão”, encenada no Teatro Alberto Maranhão, que na livre – e põe livre nisso! – adaptação dos Clowns se transformou em mais de duas horas de risada.

César Ferrário e Fernando Yamamoto já estavam por lá. Nos onze anos seguintes, muita gente boa entrou e saiu dos Clowns. E hoje tem mais gente que conheço no grupo: Titina (que naquele tempo era secretária no RN Econômico e há pouco fez várias matérias para o Fantástico) e Nara Kelly (prima de Titina), que conheci nos chats da vida nos primórdios da Internet comercial no Brasil.

E por que estou falando deles? Para parabenizá-los pelos 6 prêmios abiscoitados (sempre quis usar essa palavra!) no XI Festival Nordestino de Teatro de Guaramiranga, no Ceará, realizado no final de setembro. Concorreram em 11 categorias e levaram 6 com o espetáculo Muito barulho por quase nada.

Quando passarem por sua cidade, não pense duas vezes: vá dar boas risadas e conferir o talento dos Clowns.



Escrito por Sandro Fortunato às 22h07
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:: Eu não estou esperando um filho de Olga Benario Prestes!

 

E lá vou eu falar de Olga! Tinha quase prometido a mim mesmo que não o faria, mas...

 

Assisti ao filme um dia depois da estréia. Estava para fazer uma palestra sobre texto biográfico, na semana seguinte, em uma faculdade no Paraná e sabia que iriam tocar no assunto da adaptação do livro de Fernando Morais.

 

Não vou falar com arroubos de crítico de cinema. Sou cinéfilo, sim. Sou jornalista, sim. E daí? Foram erguidos castelos em defesa da honra de Olga – o filme, assim como masmorras para sua condenação. Portanto, vou deixar aqui apenas minhas impressões pessoais.

 

Antes do sotaque da Maria do Carmo e da cantilena do “pra aprender a ler” do comercial, passei algumas noites acordando com aquele grito de “ESTOU ESPERANDO UM FILHO DE LUÍS CARLOS PRESTES” ribombando em minha pobre cabeça. Comecei a ficar desconfiado da lavagem cerebral que estava acontecendo...

 

Vi o filme. E vi um monte de gente saindo de cara inchada. Eu, que chorei até com Homem Aranha (sério!), não entendi o porquê. Aliás, entendi sim. Brasileiro adora novela. Adora drama. Brasileiro adora passar noventa minutos ou mais vendo um jogo idiota como futebol e ficar gritando a cada bola na trave ou fora: Uuuuuuuuhhhh. Brasileiro adora sofrimento.  E Olga é isso. Novela, drama, sofrimento, bola fora durante todo o jogo.

 

O único gol marcado por Olga veio de uma jogada ensaiada antes do filme ser feito. Era o de que ele seria exatamente do jeito que é para poder ser indicado ao Oscar. E sabe o que é pior? É que talvez ele tenha mais chances do que qualquer outro filme brasileiro que chegou à academia americana nos últimos anos. Se chegar lá.

 

Dispensa-se qualquer tipo de compromisso histórico. Descarta-se qualquer obrigação com a arte. Olga foi feito para vender. É um produto comercial. Para brasileiro chorão e americano bobo.

 

E quem não tiver pecado que atire a primeira pedra amarelo manga.



Escrito por Sandro Fortunato às 04h22
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:: Crimes, jornalismo e História

Você viu o Linha Direta Justiça, na última quinta? Aquele que reprisou o caso da Fera da Penha. Eu trabalho com preservação da memória. Vivo revirando a vida de muita gente. Às vezes, gente que foi muito famosa e está esquecida; em outras, gente que gostaria de ser completamente esquecida. Linha Direta Justiça, segundo o anunciado, uma “série jornalística...”, aborda casos antigos. Todos já prescritos. A Fera da Penha cometeu um crime terrível. Matou uma criança de 4 anos - Tânia, na foto - e ateou fogo ao corpo. Foi condenada à pena máxima: 30 anos. Saiu com 15, por bom comportamento. Nunca havia feito nada parecido antes. Nunca fez nada parecido depois. Isso foi em 1960. A mulher que ficou conhecida como a Fera da Penha tinha 22 anos e descobriu que o namorado (pai de Tânia) era casado. Enlouqueceu e resolveu tirar do namorado o que ele mais amava: a filha. Ela foi libertada há quase 40 anos. Trabalhou, dedicou-se à atividades filantrópicas. Hoje tem 65 anos. Pergunto: você acha certo jogar uma história dessas em horário nobre, no canal de TV mais assistido do país, quando nenhuma das partes - ré confessa que pagou o estipulado pela Lei e parentes da garota assassinada - se recusam a falar sobre o assunto e não participam do programa? Imagine que VOCÊ fosse um dos personagens dessa história.

Enquanto você pensa, vou dar outra informação. Esse programa já havia sido exibido há exatos 11 meses. Foi reprisado porque o que estava para ser exibido - também sem consentimento ou participação de qualquer envolvido - foi impedido de ir ao ar. Também falava de um caso famoso, ocorrido há mais de 50 anos, que  envolve uma morte, no qual o acusado também cumpriu pena... O que querem expondo um senhor que hoje tem 75 anos, que nunca cometeu um ato ilícito antes do episódio em questão, tampouco depois de solto e que, juram muitos, nem foi o culpado? Eu conversei com ele há poucos dias. O que querem expondo a família da vítima que guarda até hoje a dor de ter perdido um ente querido? Você já perdeu alguém muito amado? Em condições trágicas? Gosta de ficar falando sobre isso? Também conversei com familiares da vítima.

Que caso é esse? Quem são as pessoas? Não tenho direito algum de dizer. A não ser que elas permitam. Posso garantir que todas estão cansadas desse jornalismo sensacionalista, dos urubus que ficam voando ao redor da desgraça alheia. Essas histórias são muito maiores que a história pessoal de cada um dos envolvidos. Mas nem  por isso alguém, alguma empresa ou veículo de comunicação pode se apoderar dela.

É preciso tratar pessoas como pessoas. Não como personagens. Estes são matéria para escritores, que podem manipular as histórias como bem quiserem. Jornalista lida com gente de verdade. Antes de mais nada, é preciso ter respeito.



Escrito por Sandro Fortunato às 20h28
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:: Vai começar a votação

Para quem não sabe, sou editor do site Memória Viva, que em 2003 e 2004 foi Top 3 no iBest, na categoria regional RN, e Top 10 em Arte & Cultura na edição deste ano. Na próxima terça, começa a votação para o iBest 2005. Esqueça a pelegada da eleição de domingo e vote em cultura.



Escrito por Sandro Fortunato às 15h06
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Se é para felicidade geral da nação...

 



Escrito por Sandro Fortunato às 09h31
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